quinta-feira, 26 de junho de 2014

espelho

luís castanheira
No lugar do outro
como num espelho
no extremo da vida
olho para trás
e vejo-me nu.

Despido de mágoa
sem pinga de água
seco como um rio
em deserto frio.

Sou um imbomdeiro
carregado de mukua
a minha acidez
provém da aridez
na terra que pariu
em chão que ruiu
debaixo dos pés
tudo de revés.

Sobrevivo ao tempo
com a secura do vento
olho a planície
de imenso capim
à espera de incêndio
que lhe ponha fim.


LM_17.maio.2013


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