sábado, 28 de junho de 2014

já fui...quase tudo


sofia almeida

Já fui poeta sonhador aos olhos teus, meu amor
Escrevi poemas de louvor com palavras eloquentes
E um travo doce de sabor. Foram tantas as sementes…
Do sentimento lançado ao centro do teu regaço acolhedor.

Já fui garça branca em flor voando o perfume e a cor
Nos cachos de fruta ao redor do corpo vertical e o sol a pôr
E nos teus lábios a palavra amor. Oh como é e se sente
A paixão palpitante de ser ausente e estar presente.

Já fui arquitecto desse projecto: vida a dois, sorriso aberto
Uma paixão a transbordar da minha mão. E essa construção
Fez-se então. Estrada fora num passado que é agora mão-a-mão
A caminho do futuro onde estaremos seguros e ali bem perto.

Já fui viajante nas palavras. Por dentro delas expulsei a solidão
As terras que cultivei eram áridas,
mas cruzei -as com suor em noites cálidas.
- e era tão fácil deixar-me seguir rio abaixo em turbilhão…! -
O luar de Agosto espelha-se na visão constante do teu rosto, 
os olhos negros e as faces pálidas.

Já fui o teu porto de abrigo onde ancoraste o teu sentido.
A tormenta adolescente desse perigo. Chegaste e em mim paraste
E em mim hás-de ficar. Não mais terás esse caminho perdido
Não mais estarás sós - duas mós, moinho d’água onde ancoraste.

Já fui pintor da alma em suaves tons, quadro indelével da vida
E fiz chegar em doce harmonia o som do mar aos teus ouvidos
Esse mar com o condão de acalmar os demónios d’alma ferida.

Agora, vou-me banhar na noite envolvente do teu amor
e não dês os nossos tempos por perdidos, por favor .

LM_21.jan.2014


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