domingo, 8 de junho de 2014

Linda pastora

Oh linda e gentil senhora
Que guardais vossos rebanhos
Em tão vastos e verdes prados
Guardai-me a mim destes cardos
Da alma deixada em penhora
E das águas de outros banhos.

Dai-me um futuro sem fim
Repousando destes fardos
Nas guerras que ousei travar.

Deixai-me ser vosso cordeiro
Ir pela frescura da manhã
A pastar os sonhos vossos
Em terra lavrada e sã
Repousar cansados ossos
Evitando vida de lameiro.
Repousado em vosso regaço
O percurso imenso de cansaço.

Largarei minha fiel espada
Da qual jurei nunca me separava
No dia a que a ela a pude erguer.
Hoje trocá-la-ei por outra amada
Pois que ora o coração me cativa
Sem vós minha alma está perdida.

Não deixarei cordeiro de ser
Mas não mais essa pele vestir
Para disfarçar o leão a mentir.

Também a folha caída
Pode alimentar nova vida.


LM_01 jan.2014


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