terça-feira, 10 de junho de 2014

o riso

O riso apagado no teu rosto molhado
lágrima ácida dum pensamento presente
retido e só nalgum canto lembrado
bem fundo do ser e da mente
ou na vida amada que entretanto passou
em que esse tempo parou

quem sabe?

O teu riso apagado no rosto molhado
penso que seja um rosto presente
que traz à lembrança o rosto da gente
ou da vida amada, outrora premente
e hoje aqui está num tempo parado.

Sentir o Sol quente de Inverno,
olhar as colinas despidas de manto
e ver-te, tão perto, tão fria e distante.

Parece-me ontem, a sentir o encanto
que ainda esperta como um eterno amante
que ainda consola, que ainda transpira
que ainda respira

E vejo-te nua
e vejo-te linda
e vejo-te, como eu nunca te vi:
sozinha e insegura
olhando o vazio, muito triste, ainda
como se eu não estivesse aí
junto de ti.

Meu amor... deixa-me sair deste inferno!


LM_11.mar.97


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