domingo, 8 de junho de 2014

Palavra-poema

Já poeta não sou
Já o sonho findou
Já as palavras gastei
As acendalhas apaguei
Já as muralhas destruí
E de mortalhas cobri
Já a vida findou
E onde o rio secou
Já a esperança morreu
E o mundo cedeu.

Mas é tempo de voltar
E é tempo de pensar
É tempo de criar
E é tempo de amar.

Deixar a palavra renascer
Deixar o mundo girar
Dar esperança ao entardecer
Num outro amanhecer.

Levanta-te poema
Grita aos quatro ventos
Que já não tens pena
Já não sentes lamentos.

Novas palavras correrão na planície
O sol encantará toda a tua meninice
Dar-te-á força nessa segunda caminhada
Descobrirás a natureza e a razão da coisa amada.

Poema, agiganta-te
Abandona a medíocre e ignóbil pobreza
Cala a fome da criança infringida e sofredora de tal vileza
Transforma o teu acto em sentida e verdadeira nobreza.

Poema,
Dá-te ao sonho, à felicidade e à riqueza
Dá-te à esperança, à luz e à beleza
Deixa a tua seiva escorrer pelas veias do teu ser
Deixa-me encontrar-te de novo. Não mais te perder.


LM_13-03-2013


Sem comentários:

Enviar um comentário