domingo, 8 de junho de 2014

pássaro ferido



Aos tropeções
Contra cadeiras e cadeirões
Num bar de hospital
Um doente descalço
Em pijama, fugia
Pelo pátio em frente,
Onde a chuva caía
Intensamente
Nas pedras duras do chão frio
De fim de tarde.
Os pulsos com fitas de “gaze”
Agarradas que estiveram a uma maca
Os gritos
Dos seguranças aflitos
Que sem vontade de correrem
O viram seguir
Calçada abaixo
Como pássaro ferido
Mas determinado
Na procura do respirar.

E o tempo no tempo, ajudou-o.

LM_Hospital de S. José, 25 nov.2005


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