domingo, 8 de junho de 2014

sou outro

No lugar do outro
Como num espelho
No extremo da vida
Olho para trás
E vejo-me nu.

Despido de mágoa
Sem pinga de água
Seco como um rio
Em deserto frio.

Sou um imbomdeiro
Carregado de mukua
A minha acidez
Provém da aridez
Na terra que pariu
Em chão que ruiu
Debaixo dos pés
Tudo de revés.

Sobrevivo ao tempo
Com a secura do vento
Olho a planície
De imenso capim
À espera de incêndio
Que lhe ponha fim.

LM_17.maio.2013


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