segunda-feira, 25 de agosto de 2014

o meu velho avô

- oh, meu velho…velho avô!
meu longínquo e saudoso quintal
casa dos meus avós, jardim e pomar
chão povoado do meu encantar
histórias contadas do bem e do mal.

bebi a cultura em sábia ternura
enquanto no rosto cansado espremia
pontos negros na amargura do dia
do meu avô em palavras de doce frescura.

sentado ao seu colo sob a laranjeira
ouvia as histórias de quem sabe encantar
em memória culta e voz de espantar
falava dum mundo todo ali à beira.


então menino, vi-o a última vez
do banco de trás da velha camioneta...


colado ao vidro e pescoço torcido
olhava o asfalto e a velha silhueta
como um animal tombado em valeta
destroçada a alma e coração ferido.

todos nós partimos ficando sozinho
com a companheira, ali desterrado
velho, muito triste e deveras cansado
sem receber a dádiva do nosso carinho

(hoje é a minha lembrança; o seu nome, Frederico)

(fraguemento)




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