sexta-feira, 26 de setembro de 2014

santo antónio

virgens de dores, pétalas doces, saga, em corpos soltos
oh clamores, perdidos somos entre a bruma dum simples olhar
para aí parar, sempre a pensar com o coração preso ao falar
andam as ruas a desabitar toda a fauna dentro do mar
e toda a forma a desenhar um risco unido no horizonte
perpendicular rasgando o céu em cores diletantes até aos montes
a zebrar a planície estendia em frente que é esse rio com sonho a mar...e a cantar. 
oh alegria no sol a espairecer na urbe construída para te amar
e nas janelas entre vielas há uma paisagem a renascer
roupas em velas e as calçadas presas ao olhar e nelas se concentrar
saltam cantigas a desfolhar vozes prendadas entre o luar
é todo um coro a deslizar no nosso rio a festejar
sobem balões a contentar olhos rendidos ao seu vagar. 

pátios antigos de mouros hoje estendidos no sangue herdado
toda a reconquista e o cruzamento de bela vista forte presença
e as ruelas estreitas e singelas entre o abraço a curto passo
fintam os rostos muito bem postos no seu andar quase a passar.



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

o saber

O que não sei, não me poderá fazer mal,
mas o que sei, poderá fazer-me bem.

Lastimo não ler todos os livros do mundo;
quantas coisas que poderia vir a saber,
quantas verdades ou mentiras,
teria ocasião de apreender.

Seria um sábio, ...sem qualquer utilidade! 



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

entre o sonho e o mar

foto:luís castanheira
rebentos dum rio
nascidos em fio
doces as águas 
e agora salgadas
correm pelos vales
em flores de amores
e esses rebentos,
irmãos
todos os momentos
crescem em arribas
de mares por medidas
juntos espreitam
futuros sombrios
com nuvens de maresia
em doce utopia
entre praias de sonhos
e pesadelos medonhos
é um Marco de vida
e uma Soraia rendida
aos encantos
da inocência ainda retida.

entre o futebol,
a escola e o sol
há toda uma praia
em maré viva
ferida
há uma ausência
um vazio
não apreendido
mais tarde lembrarão:
o pai no seu ganha-pão
trabalho suado
em terra distante
sozinho
como emigrante

riba mar
terra a levantar
- que o mar não tem medida
e o seu sonho é navegar -
com ventos que se hão-de criar
e só a terra os pode parar.

e estas crianças
que hoje sorriem
terão um destino
por nós consentido:
a emigração
por não terem pão.

( na lourinhã,

 homenagem a uma jovem mamã
na coragem da manhã)