sábado, 1 de agosto de 2015

a ilha_I

ilha deserta dos meus amores
perdida no tempo esquecido
ficam só lembranças de dores
arquivo do que tinha querido

e tanto era que nem por isso dera
e tanto foi que nem por isso dói
preso às correntes da espera
mar que me viu chegar
e me viu partir...qual foragido
qual criminoso do amar

nas sombras do destino
mar de concha fechada
num último suspiro findo
onde a luz incide focada
afundada, ao lado do areal
e não se olha, não se rapara
como qualquer coisa banal
se extingue ao pensamento
debaixo de chuva torrencial
vincando um rasto ou lamento
entre os coqueiros e o matagal.

aí estás,
diferente do que eras minha
tão mudada na invasão
tão suja que parece tinha
e tão triste da multidão

olho-te
na memória mais rebuscada
e como um sonho parado
perco o retoque da alvorada
a cor e o cheiro anelado
abraço desfeito do enlaço
que foi nosso,
sentido a cada passo.

aquela singela e pura
aquela harmoniosa natura
já é passado no preciso momento
começado e acabado.

tenho-te num abraço apertado
mas já não estás, levou-te o vento
agora, vejo-te longe em memória
onde me leva o pensamento
vã existência, em tão curta história
lá, onde só existe tormento.

adorava ficar mais tempo
aconchegado a uma causa
tirar partido dum só lamento

que dos teus lábios presos
saíssem gritos de contentamento.









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