quarta-feira, 7 de outubro de 2015

a cotovia



I
dispersa melodia
sem origem ou fim
cântico da cotovia
chegado até mim.


aos meus ouvidos
chega e instala-se
pulsando os sentidos
na memória de ti.


a ponte cala-se
na neblina outonal
e as margens dispersas
perdem-se no horizonte.


lá longe a tormenta
em vagas sopradas
e o ar torna-se mar
cheirando a sal.


tudo é agreste
e o vento é um teste
ao equilíbrio mental.


II
impulsos sentidos
da memória por ti
espalham-se perdidos
margens que não vi.


em vagas sopradas
o ar é um mar
com cheiro a sal.


já não há arcadas
nem já tenho lar
mas não é esse o mal
ele há-de chegar.


vou como as gaivotas
voar para terra
há ideias mortas

lá longe na serra.

quero liberdade
doce melodia
estar à vontade
mas ter companhia.


lmc

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