quinta-feira, 1 de outubro de 2015

a ilha_II

ilha deserta
dos meus amores
perdida
no tempo esquecido
só as lembranças ficam
de dores
no arquivo
do que tinha querido.


e tanto era
que nem por isso dera
e tanto foi
que nem por isso já é.


correntes da fera
mar que me viu chegar
e me viu partir...
foragido
dum crime não cometido
e do amor
entre as sombras
do destino.


mar... sem par
de concha fechada
no último suspiro
findo
onde a luz incide
focada
mas afundada
ao lado do areal
e não se olha
não se rapara
é qualquer coisa banal
extinguida ao pensamento
como chuva torrencial
escoada por entre areia
vincando um rasto
ou lamento
entre os coqueiros e o matagal.


aí estás,
diferente do que eras
minha
tão mudada na invasão
tão suja
que pareces
tão triste da multidão.


olho-te
na memória mais rebuscada
e como um sonho parado
não vejo a alvorada
a cor
e o cheiro anelado
abraço desfeito
do enlaço
que foi nosso
sentido a cada passo.


aquela ilha
tão pura
harmoniosa
natura
já é passado
no preciso momento
começado e acabado.


tenho-te num abraço
apertado
mas já não estás
já não és
levou-te o vento
como me leva o pensamento
para longe
mum tormento.


adorava ficar
mais tempo
aconchegado
à memória
tirar partido
dum só momento
que dos teus lábios
presos
saíssem gritos de contentamento
do amor que foi
mas nunca o cheguei a ter.



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