quinta-feira, 30 de julho de 2015

porta sul

Porta Sul

dois cinzeiro encostados à entrada
com 'beatas' apagadas sobre areia,
na mão um saco de papel na recolha
das 'pontas' de tabaco entre os dedos
apalpados com cirúrgica perícia na escolha:

eis dois mendigos viciados de lisboa.

lisboa, centro comercial 'colombo', 27.jul.2015
lmc

terça-feira, 7 de julho de 2015

gestação



minha mãe, quando eu nascer
não quero ver, 
não quero ver
esse teu rosto, lindo
a padecer.
oh minha mãe, quando eu nascer
deixa-me olhar-te
e um beijo dar-te
porque mereces
por tantas preces
em me conceber.

minha mãe, quando eu nascer
quero só ser,
quero só ser
o teu menino no teu viver
sentir o cheiro
do teu suor
sentir o labor
de tanto amor.

minha mãe, oh minha mãe
quando eu nascer
dou-te um sorriso
em recompensa
de tanto em querer
um filho ter.

E, mãe querida
se adormecer
sara-me a ferida
por não nascer.


quinta-feira, 2 de julho de 2015

em cada dia




sobre primaveras suspensas do olhar
pairam densas nuvens cinzentas
firmamento que escurece a cada andar
mas tentas…
em cada patamar
esforço desumano para o céu abraçar

e nesse olhar
não há esperança
não há lembrança
de um dia lá poderes chegar

…cada dia
é para te matar.


Lm_02.jul.2015




soneto de amor


fotoLuísM


página em branco de encanto
tão branca, pura e silenciosa
serve de sonho ao teu pranto
manhã que te penso amorosa

com ela desenho uma lágrima
caída do rosto em desengano
mancha dum poema em rima
como o tempo desenha o ano

fico triste por não saber
o que faria ou que faço
para melhor compreender

mas a impressão plasmada
que deixas no teu encalço
não é partida, é chegada