sábado, 31 de dezembro de 2016

Bom ano




foto LuísM

um novo ano é só mais um dia
que o calendário parte no tempo
de cada dia.
e em cada um o tempo de cada dia
seja um tempo de felicidade e alegria.
um bom ano 2017 para as pessoas de bem.
lmc

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Guernica (nunca mais...)


Guernica, de Pablo Picasso (1937)

era um tempo de penumbra
nas facas longas da loucura
feia manhã nos gritos de secura
que das gargantas roucas saiam.

mais alto do que rochedos
num mar de tempestade
erguiam-se as ondas do ódio
devastando a casta mocidade.

e dos píncaros das nuvens desciam
aves de metralha que expandiam
a morte dos corpos estilhaçados.

sem piedade, Guernica foi 
pintada de sangue e mortandade.

("a razão da força é a força da razão")



delito de opinião


desenho


delito de opinião
(...e se eu fosse luaty beirão)

e se eu fosse livre
de corpo como o sou de espírito
olharia as estrelas
sem os quadrados ferrosos da agonia.
o pátio encharcado de pés 
que se cruzam de lés-a-lés
com a imagem de folhas
aos ventos  retidas
no pátio das ilusões.

o sol deita-se mas o meu deitar é em pé dormitar, espreitanto a escuridão que me rodeia
nesta injusta cadeia.

o claustro vazio criado
pela a ausência forçada 
deixa a nostalgia  dum tempo
de utopia
mas também a esperança
doutro dia.

este livro que vos deixo
escrito nesta prisão
aos meus olhos era fogo
em folhas incendiadas
de amor e de paixão
contra o sofrimento do povo
meu irmão.

não mais calarão minha voz desejosa da razão
não mais o medo das esquinas me deixará perdido na escolha do caminho.

não mais...

havemos de ser livres
e poder-mos ter opinião!



terça-feira, 27 de dezembro de 2016

infância

"O trabalho não é virtude, nem honra; antes veria nele necessidade e condenação. É, como se sabe, consequência do pecado original."
in: Agostinho da Silva_ Considerações

nós éramos assim...

as crianças adiadas
quase sempre infelizes
e quade sempre cansadas.

éramos o tempo parado
em relógios sem horas
ponteiros de silvo odiado
no rugindo das demoras.

éramos o fim começado
com semana inglesa
e a mais dura certeza
de aprender a ser escravo.

moldavam-nos a vontade
e matavam-nos a liberdade.

(não me venham falar de trabalho...)

mas ao fim do dia...
libertos das infâncias aprisionadas 
materalizávamos brincadeiras inventadas. 

todo o futuro parecia uma distância incomensurável

naquelas horas, até ao jantar 
o tempo corria, como se não houvesse outro dia.

os carros de bambu e caricas
na finura construção
pela nossa mão
os ensaios musicais
de instrumentos rudimentares
as canções do roberto carlos
ou narrativas dos poucos filmes 
até então vistos
"cântiflas" e  cow-boys
era o imaginário das nossas vidas 
em tal cenário.

criavamos um mundo feliz
tão longínquo e tão perto...

mas nas tardes de domingo
a ana maria 
aquela linda flor
no tanque, a tomar banho 
despertava-me todo o amor

as suas pequeninas 
maminhas em borbotos
a despontar 
eram os meus sonhos de 
todas as noites...
mesmo ao acordar
onde o trabalho já não era
naquele dia um penoso lugar
(benditos amigos...e suas irmãs)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

o canto das baleias






vieram de longe 
as baleias
em caravelas estrelares
e traçaram sob os oceanos
um triângulo de lares.

com tanto mar
a querê-las separar

comunicam com a vida 
em linguagem sub-sónica
o amor e a saudade.

cantam a natureza
em melodias espaciais.

e quem as ouve
não mais esquece
aquele fantástico cantar.




más notícias


trazem-me notícias más e 
em primeira mão
das misérias 
nos dias ausentes
e das tristezas 
nas noites de solidão.

dos jornais e 
da televisão
todos os dias 
aguardo notícias
e não estas
que mostram um 
mundo sem razão.

a notícia:

"Uma empresa de recuperação de créditos tentou penhorar a refeição de uma funcionária da Misericórdia de Aveiro, mas a instituição recusou-se a cumprir a ordem do agente de execução e pediu esclarecimentos ao Tribunal.
[.....]
No entanto, a instituição respondeu que não podia cumprir a ordem, porque a funcionária toma a refeição no refeitório do lar de terceira idade onde trabalha, e pediu um esclarecimento ao juiz titular do processo.
[.....]
"Quererá o senhor agente de execução deslocar-se diariamente à instituição munido de uma marmita e retirar da boca da executada o seu alimento? A sopa, o pão, o arroz, as batatas, o naco de carne ou a posta de peixe?", questiona a advogada de defesa."

in: jornal "Correio da Manhã", 19.12.2016



segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

trocaram o menino-jesus pelo pai-natal


meia-noite e chaminé
um sapatinho e muita fé
- o menino-jesus há-de vir...
adormecia-se e ao acordar
sem o conseguir espreitar
recolhia-se a prendinha a rir.

agora é um pai-natal
em qualquer centro comercial...
- venderam o deus-menino
num saldo ou promoção
mataram no sonho a emoção!


quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

desigualdade

de que serve o voo circular do poema
se os pássaros calam o chamamento do ninho?
de que serve o céu cinzento da chuva em bonança
se o solo não mais produz sorrisos nos infantes olhos?
de que serve o mar verde da esperança
se os gatos navegam pingados de espinhas?
de que serve o quente sol de inverno
se os bancos de jardim tremem o frio dos velhos?
de que servem, afinal, dias marcados
no calendário da pobreza
se não saceiam a fome do calor, no aconchego dum lar?

tudo é tão relativo... há sempre, num qualquer lugar, onde a pobreza é mais sentida.

mas há o reverso da medalha...
quantos pobres serão necessários
para fazer um rico canalha?


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

ensaio sobre o nada

há uma estrada no meio do nada
que não leva a nada.
e nessa estrada vinda do nada
fica a pergunta: para que serve
a inútil estrada
que não serve para nada?
por uma qualquer razão
(há uma razão por detrás duma
racional razão)
se não existisse o nada
nada teria razão.
a estrada está lá
não para ser usada
nem simplesmente
para contemplação
está porque é essa a sua razão
a razão do nada 
e a sua existência
é já por si uma boa razão.

(dá p'ra rir, mas existe mesmo, além da estrada, uma ponte)


domingo, 11 de dezembro de 2016

um olhar


degraus e patamar
sobe-se ou desce-se
como a vida
e só fica um olhar
[ao passado]
aqui
no patamar...




sábado, 10 de dezembro de 2016

Olivença



[descendentes de portugueses 
pedem dupla nacionalidade - RTP1]

Além Guadiana,  Olivença
além da Pátria, uma crença:
as raízes das gentes e a história 
não deixarão apagar a glória 
da terra que foi e é Portuguesa
e há-de estar sempre na memória.

E aquém, não esquecemos...



terça-feira, 6 de dezembro de 2016

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

o fim d(i)a_tado(r)



Hades, e outros 
levantaram aos céus  
fortalezas de barro 
e cercaram-se 
na penumbra 
dos sons
arrastados nas certezas
dos dons
quais ditadores 
deuses do seu olímpo
longe das bocas
famintas.

e o tempo 
seu único invasor
apodreceu a vida
com as muralhas
da ilusão
a cairem
na viva
revolução.

acumularam riquezas
em caves capitais
e deixam o seu mundo
aos filhos, netos 
e demais.

só os afetos 
dasapareceram
perdidos
no princípio dos tempos. 


domingo, 4 de dezembro de 2016

o teu nome, amor

nada de novo 
acontece, na manhã 
que amanhece.
só o teu nome
amor, dá aos céus o 
eterno clarão, escrito no 
beijo da tua mão.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

amores-perfeitos

(por vezes procura-se sem se saber o quê)

fui à feira-da-ladra à procura do poema
a chuva encharcava a distância
toda a rua era pejada de misturas
e o poema andava pelas escondidas
amarguras.
a tarde já ia longa e longa era a espera do achado
no desencontro das palavras os guada-chuvas
toldavam as distâncias e
as sílabas saltitantes
eram peixes de boca aberta
nos pingos caídos das algibeiras
dos vendedores e vendadeiras
entre a multidão vi um mendigo
e perguntei-lhe pelo paraíso
não me respondeu
mas olhou-me intensamente
na visão alarmante dum louco
(mal sabia ele que por vezes a verdade está no meio da loucura)
mas quanto à procura
nada 
nem vestígios de algum dia ali ter estado
ou passado
já a minha esperança era sumida
quando
pela mão duma criança
eram desprendidas bolas de sabão
...e então reparei
ali estava à vista desarmada
o poema translúcido de suaves cores
em arco-iris de amores (perfeitos).




quarta-feira, 30 de novembro de 2016

simples, o tempo

há um tempo de falar
e um tempo de calar

há um tempo de ouvir
e um tempo de escutar

há um tempo de vêr
e um tempo de olhar

há um tempo de aprender
e um tempo de compreender

entre o tempo de nascer
e o tempo de morrer...

e todo o tempo é tempo
no tempo de viver.




terça-feira, 29 de novembro de 2016

infinito presente


nem canções
nem sermões
nem paixões
nem leilões

me farão vender a alma

a vendilhões.

árvores outonais



luz e sombras
e o negro barro
com que se constroem os sonhos
juntam-se pelas mãos, em semente.

e voos no peito aberto
abrem janelas aos ventos.

ao chão, forrado de folhas
sêcas, chegam nuvens projectadas
em asas de solidão.

as árvores em nudez 
desfilam ao ausente olhar da timidez.

sem pudor, nem pecado, nem rubor
despem-se ao seu mundo 
na impávida certeza
que enquanto existir raíz
teem o céu como limite
e a vida ascendente.


guitarras



choram guitarras retidas
penduradas na parede 
o pó servindo de rede
e velhas canções esquecidas.

mãos que outrora as tocaram
tremem em outros acordes
mãos gementes, mãos doentes
tristes por não serem gente.

e aquelas mãos dormentes
num tempo de memória
acariciam a longa historia
e o sofrimento em comum.

e baixo, as guitarras, em  tom dolente
entre uma lágrima em semente
vibram como se fossem só um.


zeca afonso (pequena homenagem)



as multidões
descem a rua
como trovões
e chamam sua
uma canção
manuscrita
em solidão
dentro das grades
duma prisão
deixando as tardes
da escuridão.

é um eremita
cantor-poeta
ex-professor
alma aberta
voz de tenor.

"grândola, 
vila morena"
dita a paixão
cumpriu pena
sem acusação.



além da vontade


vou ali já venho
e... se não voltar
estou onde não deveria estar
nalgum lugar donde não pude regressar
procura-me 
estararei à tua espera.



domingo, 27 de novembro de 2016

noctuno



música dispersa em 
caixa de escuridão
atravessa o ar 
em alucinação
e o bem-estar
de voo picado
introspectivo
de sono adiado
torna o cérebro criativo.

mas ao outro dia
cansado
esquece o que seria.

........

um peão
no tabuleiro-colchão 
coutada do leão.

verdes frutos



lábios gretados
pelos frutos
de jovens figueiras 
enredadas no desejo
prematuro.

e os corações
pingando amor
no imaginário sabor
dum simples beijo.

ardem os tempos
na fogueira dos temperos
e a sabedoria
não sendo menina
é a mais cálida sobremesa
na doçura do passado.

riem-se os céticos
deixando um rasto de esgar
nos lábios nunca antes tocados
como se fosse pecado comer 
verdes sabores encontrados.


ausência



e tanta é
e tanta foi
e tanta tem sido
a espera

que já nada resta
na memória duma era.




sexta-feira, 25 de novembro de 2016

águas passadas

o amor (e a dor), 
comigo nasceu e 
comigo cresceu.

Águas dos rios
Águas das fontes
Passai em fios
Vinde dos montes
Lavai as mágoas 
Por sob as pontes
Ou simples tábuas
Dos teus caixões.

Ide sedar
Tanta aflição
Até ao mar
Vossa missão.

E lá chegadas
Dai atenção
Gémeas amadas
São o que são.




consumo II

(sexta-feira negra)

é já perto o natal, sempre igual
a outros anos, puros enganos
serve-se o sonho, causando danos
onde o consumo faz tanto mal.




quinta-feira, 24 de novembro de 2016

consumo



tudo é errático
fútil 
tangencial.

tudo...
menos o amor.

criamos montanhas 
na ausência de vales.

o resto...
são só rios a navegar
até ao mar
das ilusões 
embrulhadas em espuma
e paixões.

ah!...há um céu
prometido
ao chegar.

nunca o paraíso esteve tão perto
é só comprar e descartar.



segunda-feira, 21 de novembro de 2016

mel

eras tu
  qual constelação  dum
  universo em expansão
 como se não houvesse amanhã
   e o Tempo curvasse
   ao início, em U.
 depois deste-me o mel
   dos sonhos
 e com eles contruí o paraíso
...sempre fostes tu.


velhos caminhos

lembro os velhos caminhos 
nos meus passos pequeninos
que, de tão precisos destinos
hoje me parecem gigantes.

tornaram-se tão amantes
esses meu passos certinhos
que hoje os recordo tão lindos.

longe de mim na idade
fica só a saudade...


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

o paraíso


artesanato _planos de areia entre vidros_ondina/brasil


Um dia hei-de voltar
às planícies de luar
ao infinito vermelho
ao horizonte estendido
àquele chão sofrido
e dum tempo tão velho.
Um dia, hei-de voltar...
Àquele quente mar
onde aprendi a nadar
aos dias sem limites
das noites acordadas
em rebitas e baladas
dos bailes sem convites.
Sim, hei-de voltar
nem que tenha de morrer
e voltar a nascer
para aí poder estar.
Terra  de fogo deitada
com acácias de alvorada
tenho de voltar.
Respirar o cheiro do chão
com gretas em cada mão
e a chuva sem molestar.
À sombra da molembeira
ou da alta palmeira
conversar pela tarde fora
sem tempo a marcar hora.
Ouvir as velhas estórias
sábias de tantas memórias.
Hei-de encontrar o (velho) seculo
sentado sem nenhum muro
com olhar para além da vida
pele cansada de muito verão
que fala como o velho irmão
na sábia experiência vivida.
Hei-de voltar,sim
E encontrar a nascente
daquele rio tão premente
na vida de tanta gente
sorrindo a quem o vê passar
calmamente direito ao mar
com sonho de estrela poente.
...e numa jangada, viajar.
Sim, quero voltar...
...a ser menino
e voltar a sonhar.





o nosso dia

o nosso dia

à muito, muito tempo
ouvimos sereias cantar
na costa junto ao mar
e o tempo para nós começou
a contar.

embalamos o sonho
com um beijo, o primeiro
e nunca mais deixamos 
de voar

aquele passeio ao guincho
não esquece, nunca mais.

deambulamos pela feira
perante espanto de olhares
mas o nosso amor nascido
não tinha olhos p'ra outro pares.

éramos estrelas da tarde
a iluminar
as areias da praia e as ondas
brancas 
virgens de tanto segredar
as palavras por dizer
de lábios cerrados
neste livro por ler
...ainda por escrever.

16.nov.2016




quinta-feira, 17 de novembro de 2016

um quase fado

fado: o rio ao passar

chegaste à nossa cama
   isenta daquela chama
   que te fazia sonhar.
   (chegaste tarde sem falar)

chegaste fria no vagar
   com dispersão no olhar
   e sombras a pairar.
(esperava-te ao chegar.)

(refrão)
já não sei o que fazer
   para te fazer entender:
   o amor é um rio
   onde se pode beber.

já não sei o que fazer
   para te fazer entender...

   o amor que ontem tínhamos
   já se perdeu no caminho.
morreu todo o carinho
   que  ambos então sentiamos.

(refrão)
já não sei o que fazer
   para te fazer entender...
   o amor é um rio
   onde se pode beber.

esse amor que tens vivido
   não tinha um só sentido
   era um poema partido
   num trajecto só a dois
   que deixaste p'ra depois.
(não foi isso o prometido.)

(refrão)
já não sei o que fazer
   para te fazer entender...
   o amor é um rio
   onde se pode beber.

onde está aquela estrela
   que aquecia só de vê-la
   e já deixou de brilhar?
onde está, meu amor
   o sofrimento e a dor
   que ora te fez parar?

como posso eu viver
sem poder compreender...?
(não foi isso o prometido.)












terça-feira, 15 de novembro de 2016

um dia assim...


o poeta espera a primavera...
e o poema baila docemente sobre os prados verdejantes, qual borboletas em namoro de amantes.

brancas, ziguezagueando
na doçura da manhã.


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

super-lua

foto web

tanto pedi aos céus
que aos teus cabelos
se prendessem estrelas
caídas
mas só um pálido luar
defeniu a vaga silhueta
do teu inexpressivo olhar.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Leonard Cohen

foto web


hoje morreu o poeta
de olhos postos no céu.
cantou pausadamente
a vida no silêncio e
a voz densa no coração.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

por um pouco de ar puro/banqueiros

bácoros na manjedoura 
dourada 
numa caixa toda forrada
de notas
e armada
de paus, varas e pó

venham
outros
a engorda aguarda
e o chiqueiro não tem mal.


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

espuma


Amo devagar como se fosse mar
Beijando a fina areia em espuma
Branca de desejada noiva no altar.
Amo este galgar que só a ti ruma.

Amo devagar para a ti chegar
Como se não houvesse tempo
A marcar o infinito do teu olhar.

E se tudo o mais fosse a destempo
Era só e por ti que eu poderia amar.




quinta-feira, 27 de outubro de 2016

pois...

pois...

duas pétalas 
de orvalho
no teu rosto 
magoado
soltaram-se 
na madrugada
e caíram
na minha mão.

...cinzentas 
como o mar
em dias de tempestade.

disseste-me 
que a poesia
era deprimente 
e que deveria 
focar-me na alegria.

mas como poderia
a angústia
transformá-la
no que não sentia?



segunda-feira, 24 de outubro de 2016

tudo é tanto

Amar como eu te amei
foi a mais linda prenda 
que algum dia dei.

Mas amar-te foi, também, 
aprender a receber 
o que me quiseste dar.

E tudo é tanto
e tanto me chega.



tu

Esperei-te 
sem saber que por ti esperava
Encontrei-te
sem saber que a ti procurava
Amei-te
sem saber o porquê do teu amor
Aconteceu... 
simplesmente aconteceu.


a ponte

outra vida esperava-me
                                         na outra margem    
            era a minha 
                                perdida
                                            esquecida 
                                            
...e a ponte não foi atravessada.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

quem...


quem...

quem não desiste
e resiste
quem não se cala
e se rala
quem reclama
e faz a chama
quem tem um sonho
e é risonho
quem voa ao vento
e em pensamento
quem olha a flor
e a sua cor
quem ouve os outros
e são tão poucos...
quem sente o mar
no outro olhar

há-de ao destino chegar
...e acordar!


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

viagem


repouso o corpo de costas deitado
sobre chão de tapete verde, bordado
com todas as flores aromas e cores
e por cima tapo-me com estrelas de dores.

a vida desses distantes astros chegam-me após a sua morte 
estranho, este universo 
que nos olhamos na luz que há muito partiu...e se extinguiu.

domingo, 16 de outubro de 2016

gotas de esperança


Na secura do teu olhar
Há uma dor sem igual
Que meu corpo sente mal.

Há rios secos com sonho a mar
E montanhas perdidas ao olhar.

Espero por ti há muito, chuva 
Para nas gretas da minha pele
Infiltrares a doçura de uma vida. 


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

o campo e a cidade

tanta falta me fazes, liberdade
para no teu chão plantar minha coroa

a ti canto esta loa.

tanta e tão grande é a tua mocidade
que seu tempo se perde em de ti e na cidade.

tanta é a vontade na demanda da verdade
que de meu sonho faço a constante claridade

quisera eu ter outra mais e maior certeza
e o meu mundo seria um mundo de beleza.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

o sorriso

por um sorriso...

houvesse no teu rosto
no claro dia da manhã
um largo sorriso posto

e serias tu... 

um pecado recatado
no beijo ancorado
a emoção sentida
de carícias sem medida
desenfreadas 
como cavalos em corrida.

e serias tu...

as nossas peles cansadas
suadas
das inscrições digitais
nos mapas ancestrais
abertos ao meu mundo
com estrelas em fundo
orientando o desejo...

e serias tu...

no início desse beijo.



domingo, 28 de agosto de 2016

o medo

o medo

foto LuísM



quem és tu,
que me atormentas na curva
da noite e me fazes olhar os cantos da solidão?
quem és, figura plasmada na parede do meu quarto, em sombras e escuridão?
quem és, que não te vejo, alma sem corpo e sem chama?

todos os sentidos despertos não chegam para te lançar a mão.

vives em mim, por magia ou por minha cobardia.

desejava enfrentar-te um dia...
dizer-te que a minha vida só a mim pertence,
que dela farei tudo o que quiser,
mas nunca de teu escravo serei.

o medo, esse, ficará eternamente preso ao fundo do mar, onde..., espero, nunca chegar.
e é à superficie que respiro a vida, que olho as estrelas de outros olhos.
e é na paisagem deslumbrante das cores que o meu mundo é claro.

fico à espera, acordado, pela resposta que não espero.
assim, descanso, sabendo-te o reflexo meu em espelho.



sexta-feira, 12 de agosto de 2016

rosas negras

(a propósito de um artigo, hoje lido nos jornais):




<<O vosso público, por sua vez, não tem a sensação do perigo iminente - é isso que me preocupa. Como não compreendem que o mundo está a ser puxado numa direção irreversível? Enquanto eles [a maior parte do establishment político-militar ocidental] fazem crer que não se passa nada. Já não sei como hei-de comunicar convosco».
Vladimir Putin







«Estou preocupado, muito preocupado, com que estejamos a caminhar como sonâmbulos para qualquer coisa de absolutamente catastrófico».

Sir Richard Shirreff

....


as rosas de todas as hiróximas

sangram as negras rosas da madrugada
asas de corvos em sombras estendidas


- planície do nosso descontentamento -


verdes águas paradas,
entre margens assombradas
nas florestas petrificadas
confunde-se o tom da superfície com prados enriquecidos
e a ponte é uma passagem para o céu de outra miragem
o horizonte é um manto fúnebre de tempestade
ouve-se ao longe o mar num cadênciado martelar
e a maresia traz um gosto a lágrimas de sal

... no vento nuclear.

já não há como evitar tão densa noite
onde seria dia...
nem um só pássaro sobrevoa as escarpas do além
e este rugido do interior da terra
ouve-se na revoltada planície
como um grito de dor
... não mais crescerá uma só flor.

tacteio essas sombras com mãos caídas
pela áspera rocha vertida na paisagem
e na sombra projectada há pombas brancas agarradas:
cinzas e pó
de extintas manadas.

manchas de musgo e répteis
traçam pinturas rupestres
natureza viva-morta da vida volatilizada.

meus olhos já pouco enxergam...
mas ainda vêem os minutos finais do planeta terra...

...e a loucura dos homens
...com as suas bombas destrutivas.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

(a)gosto

foto by luísm









à minha frente o tejo
e a canícula deste agosto
no banho desejado do teu beijo.

...mesmo um só, mas de gosto.

há noites assim: dorme-se mal
e as manhãs são um vendaval.

acorda-se "encurrucutado"
com o corpo e a mente de lado

a luz intensamente clara
fere os olhos cansados 
já de si tão amargurados

dorme-se mal com o calor
e todo o sonho não ė isento de pavor.

toma-se uma "bica" para despertar
mas o desejo é de outro lugar

trocar este rio por fresco mar.


terça-feira, 2 de agosto de 2016

sete razões


foto by luízm

sete e zero são setenta
sete escrito na sebenta

sete mares, sete lares
sete continentes aos pares
sete destinos sofridos
sete encantos escondidos

sete saias, sete aias
sete corpetes letais
sete dias, sete noites
sete castigos e açoites

sete ais...

sete princesas escravas
sete morenas eslavas
sete anos, sete enganos
sete farrapos de panos

sete palácios reais
sete pecados mortais
sete livros proíbidos
sete paraísos perdidos

sete virgens...

sete segundos vividos
sete pães repartidos
sete pontos cardeais
sete extensos laranjais

sete promessas cumpridas
sete confissões sentidas
sete perdões merecidos
sete pecados indefinidos

sete mundos, sete sois
sete partihas e farois
sete poderosas irmãs
sete terreas riquezas vãs

sete tribos de jerusalém
sete diferenças do além
sete igrejas e mesquitas
sete sinagogas e ermitas

sete pastos na montanha
sete pastores na ordenha
sete ovelhas no redil
sete cordeiros em mil

sete crueis chacais
sete afiados punhais

e...

sete lobos no covil.




segunda-feira, 20 de junho de 2016

o silêncio da noite


pássaros pré-extintos nas auroras plasmadas
enchem o espaço nas colinas da solidão
o vazio filtra-se incandecente no fogo do amor
e o sorriso dos olhos claros da madrugada
despertam sentidos em chispas de paixão
meus dedos percorrem caminhos escondidos
como se a fome procurasse saciar-se
no leito quente e adormecido do suave lago
a noite foi de luar e o dia nasceu assim para te amar (o dia e eu).
lmc

rolas descobertas na amazónia após 75 anos dadas como extintas_foto net

terça-feira, 14 de junho de 2016

partir

quem parte, parte
deixando parte de si, repartido.

parte, pensando consigo levar
o tempo de todo o lugar
parte, na ideia de um dia voltar.

quem parte, parte perdendo
a vontade de ficar.

parte, na ilusão de sonhar...
longe, em qualquer lugar.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

luz...

dorme a cidade
e as escuras nuvens descem suavemente
sobre os sentidos
adormecidos.
espreita a lua por entre a paixão
solitária
sem outra razão
que não, a certeza
do equilíbrio da matéria.
iluminadas as ruas vazias
artifício
moderno duma civilização
aguardam o tráfego
desgastante
do dia-a-dia.
amanhã haverá outra luz
que a tudo nos conduz...

lmc
foto LuízM

segunda-feira, 11 de abril de 2016

por uma gota de orvalho...

 
por uma gota de orvalho, eu hei-de ser...

por sobre o campo raso hás-de passar
altiva sombra sem me olhar
e eu, cato silvestre, espalhando aroma
preso ao chão húmido, terra de goma
no infinito desejo de te abraçar.

não mais verás tão doce cor
manhã chegada, desperta dor
não mais terás teus olhos presos junto aos meus
e sentirás o quanto magoam os passos teus.

perde-se o mistério deste querer
mais que o amor, poder viver
mais que o saber, poder voar
sob teu corpo, poder sonhar.

anseio louco, olhos de luz a marejar
estrela d'oiro, para te ver, mais uma vez
só outra vez...a acalentar
tão grande amor, que poderia ser.

como eu te adoro, gota-poema
tão leve e bela como uma pena.

não mais serás o meu destino
não mais terás o meu carinho
preso que estou no teu caminho
sem nunca ser o teu menino.

fica tão longe o húmus acre do teu querer...
que desespero por não te achar
...ou te perder.

lmc

há um rio...

há um rio

há um rio perdido ao olhar
há um rio, sim, há um rio
escondido, perdido no mar
correndo, preso por um fio
grito desprendido na solidão

sim, há um rio esperado em ti
uma voz sussurrante na mão
margens de braços abertos
onde explode submersa paixão.


....

primeiro beijo

Recordo o meu primeiro beijo
intenso e húmido do desejo
na tarde, feita noite, tanto encanto...
os néons da cidade deixando rasto
em piso molhado, já tão gasto
na juvenil memória, hoje pranto.
... a chuva é um círculo
juntando pétalas de orvalho.

mulher

Mulher
um dia, um ano, uma vida
... na minha vida,
há a mulher
com um Deus por dentro
e ternura no olhar.

abraço-te, como se o Mundo fosses tu.

(dia internacional da Mulher)
lmc

a terra que sonhaste...


pelo teu pequeno corpo
de bruços deitado
no limite da praia
passa o meu desgosto
ao vêr-te sem rosto.

teus olhos escondidos
pela areia, feridos
já não veem a terra
que te daria abrigo.
morres, após tanto perigo
na fronteira da guerra.

5.set.2015

sexta-feira, 11 de março de 2016

sinais

desatento aos sinais
e preso aos sentidos
não há ilusões reais
dos tempos perdidos


rebusco mais fundo
a memória sem fim
e só o vazio do mundo
se depara em mim.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

porto sentido








ao riacho em cascata
prenderei as pontes
e no rosto salpicado
como trilhos na mata
descobrirei as fontes
e beberei ao teu lado.