segunda-feira, 11 de abril de 2016

por uma gota de orvalho...

 
por uma gota de orvalho, eu hei-de ser...

por sobre o campo raso hás-de passar
altiva sombra sem me olhar
e eu, cato silvestre, espalhando aroma
preso ao chão húmido, terra de goma
no infinito desejo de te abraçar.

não mais verás tão doce cor
manhã chegada, desperta dor
não mais terás teus olhos presos junto aos meus
e sentirás o quanto magoam os passos teus.

perde-se o mistério deste querer
mais que o amor, poder viver
mais que o saber, poder voar
sob teu corpo, poder sonhar.

anseio louco, olhos de luz a marejar
estrela d'oiro, para te ver, mais uma vez
só outra vez...a acalentar
tão grande amor, que poderia ser.

como eu te adoro, gota-poema
tão leve e bela como uma pena.

não mais serás o meu destino
não mais terás o meu carinho
preso que estou no teu caminho
sem nunca ser o teu menino.

fica tão longe o húmus acre do teu querer...
que desespero por não te achar
...ou te perder.

lmc

2 comentários:

  1. Encontrei-te por mero acaso, mas na tua poesia que li não há acaso, há muito talento poético. Parabéns.
    Bom fim de semana, caro Luís.
    Abraço.

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    1. Um abraço, caro Jaime Portela, com as suas palavras aqui deixadas. Fico sensibilizado por ter gostado daquilo que leu. É sempre bom e motivador sermos lidos. É esse o objectivo da partilha. Um bom fim-de-semana para si, também e um obrigado pelo comentário.

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