sexta-feira, 12 de agosto de 2016

rosas negras

(a propósito de um artigo, hoje lido nos jornais):




<<O vosso público, por sua vez, não tem a sensação do perigo iminente - é isso que me preocupa. Como não compreendem que o mundo está a ser puxado numa direção irreversível? Enquanto eles [a maior parte do establishment político-militar ocidental] fazem crer que não se passa nada. Já não sei como hei-de comunicar convosco».
Vladimir Putin







«Estou preocupado, muito preocupado, com que estejamos a caminhar como sonâmbulos para qualquer coisa de absolutamente catastrófico».

Sir Richard Shirreff

....


as rosas de todas as hiróximas

sangram as negras rosas da madrugada
asas de corvos em sombras estendidas


- planície do nosso descontentamento -


verdes águas paradas,
entre margens assombradas
nas florestas petrificadas
confunde-se o tom da superfície com prados enriquecidos
e a ponte é uma passagem para o céu de outra miragem
o horizonte é um manto fúnebre de tempestade
ouve-se ao longe o mar num cadênciado martelar
e a maresia traz um gosto a lágrimas de sal

... no vento nuclear.

já não há como evitar tão densa noite
onde seria dia...
nem um só pássaro sobrevoa as escarpas do além
e este rugido do interior da terra
ouve-se na revoltada planície
como um grito de dor
... não mais crescerá uma só flor.

tacteio essas sombras com mãos caídas
pela áspera rocha vertida na paisagem
e na sombra projectada há pombas brancas agarradas:
cinzas e pó
de extintas manadas.

manchas de musgo e répteis
traçam pinturas rupestres
natureza viva-morta da vida volatilizada.

meus olhos já pouco enxergam...
mas ainda vêem os minutos finais do planeta terra...

...e a loucura dos homens
...com as suas bombas destrutivas.

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