domingo, 28 de agosto de 2016

o medo

o medo

foto LuísM



quem és tu,
que me atormentas na curva
da noite e me fazes olhar os cantos da solidão?
quem és, figura plasmada na parede do meu quarto, em sombras e escuridão?
quem és, que não te vejo, alma sem corpo e sem chama?

todos os sentidos despertos não chegam para te lançar a mão.

vives em mim, por magia ou por minha cobardia.

desejava enfrentar-te um dia...
dizer-te que a minha vida só a mim pertence,
que dela farei tudo o que quiser,
mas nunca de teu escravo serei.

o medo, esse, ficará eternamente preso ao fundo do mar, onde..., espero, nunca chegar.
e é à superficie que respiro a vida, que olho as estrelas de outros olhos.
e é na paisagem deslumbrante das cores que o meu mundo é claro.

fico à espera, acordado, pela resposta que não espero.
assim, descanso, sabendo-te o reflexo meu em espelho.



1 comentário:

  1. Às vezes somos nós próprios que mais nos atormentamos...
    Excelente poema.
    Luís, tem um bom domingo e uma boa semana.
    Abraço.

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