sexta-feira, 18 de novembro de 2016

o paraíso


artesanato _planos de areia entre vidros_ondina/brasil


Um dia hei-de voltar
às planícies de luar
ao infinito vermelho
ao horizonte estendido
àquele chão sofrido
e dum tempo tão velho.
Um dia, hei-de voltar...
Àquele quente mar
onde aprendi a nadar
aos dias sem limites
das noites acordadas
em rebitas e baladas
dos bailes sem convites.
Sim, hei-de voltar
nem que tenha de morrer
e voltar a nascer
para aí poder estar.
Terra  de fogo deitada
com acácias de alvorada
tenho de voltar.
Respirar o cheiro do chão
com gretas em cada mão
e a chuva sem molestar.
À sombra da molembeira
ou da alta palmeira
conversar pela tarde fora
sem tempo a marcar hora.
Ouvir as velhas estórias
sábias de tantas memórias.
Hei-de encontrar o (velho) seculo
sentado sem nenhum muro
com olhar para além da vida
pele cansada de muito verão
que fala como o velho irmão
na sábia experiência vivida.
Hei-de voltar,sim
E encontrar a nascente
daquele rio tão premente
na vida de tanta gente
sorrindo a quem o vê passar
calmamente direito ao mar
com sonho de estrela poente.
...e numa jangada, viajar.
Sim, quero voltar...
...a ser menino
e voltar a sonhar.





Sem comentários:

Enviar um comentário