quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

desigualdade

de que serve o voo circular do poema
se os pássaros calam o chamamento do ninho?
de que serve o céu cinzento da chuva em bonança
se o solo não mais produz sorrisos nos infantes olhos?
de que serve o mar verde da esperança
se os gatos navegam pingados de espinhas?
de que serve o quente sol de inverno
se os bancos de jardim tremem o frio dos velhos?
de que servem, afinal, dias marcados
no calendário da pobreza
se não saceiam a fome do calor, no aconchego dum lar?

tudo é tão relativo... há sempre, num qualquer lugar, onde a pobreza é mais sentida.

mas há o reverso da medalha...
quantos pobres serão necessários
para fazer um rico canalha?


3 comentários:

  1. A desigualdade social é uma ferida terrível...
    Sensacional esta pergunta final: "quantos pobres
    serão necessários para fazer um rico canalha?"
    Este "rico canalha" é a elite perversa que pisam
    os pobres na sarjeta, esta elite perversa controla,
    manipula e administra a indústria da corrupção dos
    poderes e acontece como o meu Brasil a congelar 20 anos
    de verbas para educação e ações de programas sociais e
    ainda acham pouco e estão a quebrar a previdência, nos
    direitos dos trabalhadores e eles terem espaço para
    a segurança do mercado capitalista selvagem para aplicações
    no aumento das suas grandes riquezas privadas e o povo
    volta para o lugar de miserável a viver na rua e sem
    educação e condições de questionamentos e exercícios
    de acesso a cultura, esta elite perversa tem o luxo da
    cultura, do lazer, da saúde e da educação....
    Desculpa, meu amigo este desabafo aqui no seu espaço,
    para mim é difícil este momento assombroso do meu País.
    Excelente este seu poema e lhe deixo um beijo e
    abraço de paz depois deste desabafo todo...rss

    ResponderEliminar
  2. Um poema forte a denunciar a desigualdade social. Recheado de imagens intensas: pe: "os bancos de jardim tremem o frio dos velhos" ou o final inquietante.

    A contradição que engorda o sistema
    tem na raiz um nefasto problema
    basta ir à rua e ver a malícia
    o faz de conta a quadra natalícia

    Grato pela visita.
    Abraço.

    ResponderEliminar
  3. que nunca a mão (poética) te doa.
    nem te falte a palavra acesa-

    o poema (também) é uma arma.

    abraço

    ResponderEliminar