quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

ensaio sobre o nada

há uma estrada no meio do nada
que não leva a nada.
e nessa estrada vinda do nada
fica a pergunta: para que serve
a inútil estrada
que não serve para nada?
por uma qualquer razão
(há uma razão por detrás duma
racional razão)
se não existisse o nada
nada teria razão.
a estrada está lá
não para ser usada
nem simplesmente
para contemplação
está porque é essa a sua razão
a razão do nada 
e a sua existência
é já por si uma boa razão.

(dá p'ra rir, mas existe mesmo, além da estrada, uma ponte)


1 comentário:

  1. Conclusão: é imperioso que se crie o nada como templo acolhedor dos nadas que por aí nadam. Não há coisa mais fascinante do que a nulidade do nada. O símbolo supremo da criatividade está na manteiga no umbigo próprio: nada!

    Abraço.

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