sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

interiores

Almada Negreiros_Interiores
navegar...
navegar
sem margens
no interior
deste mar

na pele o silêncio
no sonho o olhar

e por cada légua
a linha distante
equatorial

um chão espelhado
no ar um jardim
de traves suspensas
e aromas sem fim

perdem-se os sentidos
dos medos retidos
e por cada rosto
passa um sorriso.

(dum porto sentido  para outro havido)

4 comentários:

  1. Muito belo o poema, as palavras navegam na introspeção
    e acompanhadas de uma imagem perfeita, numa composição
    de arte em harmonia, meu amigo Luís!
    Bom final de semana na paz!
    Um beijo.

    ResponderEliminar
  2. "acima, acima gaigeiro/acima ao mastro real/já vejo terras de Espanha/ areias de Portugal".

    boa viagem, amigo.
    mas temo que precises de muito "calor humano" para chegares a bom porto. de cacilheiro não chegas lá...

    enfim, digo eu.
    esperemos a torna-viagem!

    excelente poema.
    caloroso abraço

    ResponderEliminar
  3. deve ler-se "gageiro", peço desculpa.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ir e voltar, é sempre o que um bom 'marujo' pensa.
      Eu, não tendo andado nessas 'águas', vou, deixando-me estar.
      (mesmo numa casca de noz, com forma de sofá)
      caloroso abraço
      *À parte o humor, este poema de origem oral (a nau catrineta), era o meu avô que mo dizia é muito cedo o decorei.

      Eliminar