sábado, 4 de março de 2017

interioridades


Na minha terra não há rios
nem há mar
deixamos de os escutar
Na minha terra não há sorrisos
nem olhares
só gente idosa sem seus pares
Na minha terra não há festas
nem cantares
foram-se as vozes ao emigrar

Na minha terra há só um fim
a espreitar 
no interior o deserto a chegar.




5 comentários:

  1. "casa onde caibas/terra quanta vejas/"
    enquanto houver lugar ao sono, o deserto não vingará

    abraço, caro Poeta amigo

    ResponderEliminar
  2. O poeta foi marcado, indelevelmente,
    na estética austera da verticalidade.
    Mas ele sabe que, apesar das pedras-gumes
    talhados nos meses de cinzel a ferir a memória,
    correm sob a crosta dos montes
    borbulhantes rios de vermelho quente.

    Bom poema.

    Abraço.

    ResponderEliminar
  3. Belo e sentido poema.

    No nível profundo sobre a interioridade se a simbologia do
    deserto se tratar da solidão, esta faz parte da vida sempre
    mesmo na multidão...

    Um bom domingo e um beijo.

    ResponderEliminar
  4. tão actual, tão real
    que dói

    muito bom...

    boa semana.

    beijo
    :)

    ResponderEliminar