domingo, 25 de março de 2018

Odisseu


imagem da net

Dorme, sonho. Mais um pouco. Não
acordes. Estes medos. É hora.
Do grito louco. Dos desertos. Das manhãs. Das gargantas. Rasgadas. Dos delfins. E dos demónios.

Servem, sereias. Os mares confins.
Em espadas de marfim. E mastros de alecrim. No canto doce. De jasmim. Aos ouvidos. Cerrados. Dos desejos. Paraísos. Nunca sentidos. E jovens. Quase perdidos.

Desperta o dia. O horizonte. É mitologia. Na esperança. Na lembrança. Doutro mar. Doutro lar. Tanta ausência. E tanta. E tanto. É este navegar.

Rotas aos ventos. Dobradas. E velas içadas. No desespero. Aguardam. A passagem. Na cobrança. Do tributo: Vida ou Morte. A viagem. Ou o risco. Da desgraça.

Mas o sonho. Teima. Em despertar. Quase a chorar. De tanta dor. A navegar.

Abrem-se. Por fim. Os oceanos.
Perante a vontade. Do sonho. De regressar...

(Acalmam-se os ventos. De beijos a soprar. Deitam-se as ondas. Sob a quilha. Na cama de luar.)

... Ao Amor. A esse Lar.

LM_25_mar.2018

2 comentários:

  1. Olá amigo Luís, maravilhoso poema que amei demais e o final entre aspas muito belo. ... Ao Amor. A esse Lar. Boa Páscoa amigo e beijos com carinho

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  2. um verdadeiro hino à vida

    abraço, caro Luis

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