quinta-feira, 28 de abril de 2022

expansão

foto do autor


acendes o olhar

com que despertas a chama

e o vazio da noite

num espaço ao luar.


e enquanto a tua voz

se propagar

todo o deserto é um mar

a navegar.

segunda-feira, 21 de março de 2022

A primeira andorinha

Alheia aos tempos
alheia aos perigosos 
ventos
do Leste vindos
chegou 
a primeira andorinha
única 
só e cheia de vida.

A alegria patente no esvoaçar 
rente ao prédio 
vem-lhe do reconhecimento de
na aparência
tudo estar igual: 
o mesmo ninho
o mesmo rosto a contemplá-la.

Mal sabia ela 
que nesta Primavera 
o canto de Paz e Harmonia 
era (a nossa) Utopia.

domingo, 23 de janeiro de 2022

o silêncio escrito à mão

palavras dobradas
umas sobre as outras
deitadas
e um envelope
a guardar a solidão.

palavras
adormecidas
que por lá ficaram
repousadas
em longa maturação.

salvaram-se
na tinta desmaiada
sem saberem
que não foram lidas
compreendidas
ou sequer sentidas.

não chegaram
por quem
elas
tinham paixão.

por fora
também escrito à mão
numa outra ocasião
dizia:

- não me acordem!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

no entretanto...

este poema está preso

entre o que penso

e a folha em branco.


entretanto

nela poisaram pássaros inventados

como flocos de neve 

a quererem dizer algo.... que não entendo.



quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

o último sopro

quando as aves partiram
ele ficou
quando o sol aqueceu
ele sombreou
quando o dia foi noite
ele arrefeceu
quando o pó prevaleceu
ele foi matéria.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

madrugada

pelas frinchas da porta
ainda cerrada
a luz da madrugada
ainda coada
entra
sem dizer nada.

e de meus olhos dormidos
um claro despertar
do novo dia a chegar.

para trás 
a noite foi-se deitar...
no meu lugar.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

horas minhas

bebo todos os esquecimentos

nos ventos impiedosos 

do fim da tarde. 


já nada sei do que esqueci 

no sol ímpio da mortalha.


sobre a pele

estende-se a memória 

adormecida ou em falha.


não consigo apreender

a sua vontade de esquecer. 


quero recordar

quando o sino toca e o seu eco ecoa 

na planície da vida.


lembra-me as horas findas

ou outras que foram minhas.

domingo, 28 de novembro de 2021

(:-

dos pássaros em mim

como se a brisa 

rasgasse as ondas

e ao meu corpo chegasse

esse aroma

maresia em voo sem fim

bailado de alma

num chão de mar.


e seria gaivota no teu olhar.

sábado, 27 de novembro de 2021

Longa estrada

Não é por ti nem por mim

Não é por uma profunda paixão

Não é por te dar a mão

É por este caminho sem fim

Que para trás ficou 

Sem sabermos onde começou.


quinta-feira, 25 de novembro de 2021

O caminho

Na mais empoeirada "picada"

de cajueiros e acácias ladeada

desliza a mota

dentro de sulcos e perícia.


- Corro para os teus braços, mãe!


Desprendem-se das galáxias

nesta estrada tão longa

as pétalas que o teu amor tem.