quarta-feira, 13 de junho de 2018

o infinito...


duas linhas paralelas
e, entre elas, travessões
a segurar as palavras.

cavalos brancos
correm livres
em prados abertos.


espumas do mar
clamam por liberdade
como nuvens no ar.

e as árvores
a tudo assistem
entre sombras
de pássaros a voar.

(pelo meio viaja o poema)

lm_13.jun.2018

segunda-feira, 11 de junho de 2018

nem tanto ao mar...

não tenho nada 
para te dar
quando me pedes 
para ficar
junto a ti
sem falar.

como posso 
eu calar
o que o coração 
acaba por ditar
quando ao teu lado 
e sem nada o comandar
me diz: 
-"o silêncio vai-te afastar!"

lm_11.jun.2018

quarta-feira, 6 de junho de 2018

multidão

"quem tudo quer
nada tem
e tudo perde
sem saber de quem."

estás disposta a tudo
abandonar
na paixão
e entrega
com que eu possa ficar?

vi logo que não
trazes contigo os fantasmas
que dilasseram o coração.

e eu, então
sou feito de solidão
que não casa
com o ruído
no meio da multidão.

"tanta gente numa cama
não se pode chamar união."

lm_06.jun.2018

terça-feira, 5 de junho de 2018

berço


ribeiro louco de anseio
que galgas de permeio
entre quedas e querelas
na pressa de ao mar chegares
sem tino, para ai te matares
e perderes as coisas belas.

também eu vivo aflito
na canseira deste rito
de acabar por parar
sem margens p'ra onde olhar.

um dia hei-de querer
ao começo de voltar
encontrar o berço teu
no menino que fui eu.

... e aprender a olhar!

lm_05.jun.2018

segunda-feira, 4 de junho de 2018

coisas simples



nasci num dia igual
a qualquer outro
num lugar comum
e em casa
como normal.

o que, o ter nascido
não faz de mim especial
mas sou diferente
sou um outro
sem igual.

mamei de duas mães
da minha e da colaça
nascida por aqueles dias.
(alimento não me faltou...)

de resto nada mais há
a acrecentar
a não ser que estarei vivo
enquanto cá andar.
(depois, logo se vê)

lm_ 04.jun.2018