terça-feira, 15 de agosto de 2017

a chuva na calçada_cancão

passava encanto e beleza
nas ruas do meu olhar
parececia uma princesa
com o trânsito a parar.

levava com ela o destino
sem saber onde ia dar
no seu passo pequenino
e quem a iria esperar.

os anos passaram por ela
e nela se vieram encrustar
agora muito menos bela
já ninguém vira o olhar.

eu sei que de madrugada
traz as sombras a derramar
pálida da lua ancorada
de quem não a soube amar.

sobe sozinha a calçada
tão cansada de sonhar
uma outra vida achada
que a fizessem amar.

palmilha a escura estrada
de quem a quis comprar
deixa para trás a parada
mais nada tem a guardar.

pálida frente ao luar
vejo-a perder a alma
nas rugas a marear.

são penas amarguradas
que larga ao seu andar
e mágoas acumuladas 
num corpo a esvaziar.

soubesse ela o que sinto
ao vê-la tarde a chegar
saberia como eu finto
o desejo de a amar.

são cachos de solidão
espalhados pelo chão.

e a chuva de mansinho
só ela
bordadeira de carinho
acaricia a sua mão.

domingo, 13 de agosto de 2017

...

anjo negro 
com asas fechadas
coladas ao corpo 
granítico
prisioneiro esculpido
da vontade humana

mataram-te o desejo
ou a liberdade 
não é o teu jeito?


domingo, 30 de julho de 2017

tempo dos tempos

se faz e desfaz
a guerra
e a paz

(na mão escondida, o pecado irmão)

e se aguarda a mudança
com ou sem esperança.




quarta-feira, 26 de julho de 2017

as nascentes

Às tuas mãos eu prendo os meus afectos

(inquestionáveis de tanto os libertar)

e eles voam contigo para paraísos que não conheço.

Amanhã,
faz um mapa do meu corpo e inscreve lá o teu tesouro.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

[...]

- ao lado do passeio, há um carreiro
... e todos vão pelo primeiro!

frágil poema este 
nascido duma pena
e arquitectura
sem ideia ou lema.

corpo de sombras
exposto 
sem qualquer leitura.