sábado, 6 de maio de 2017

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Anna Brigitta Kovács_aguarela

eu sei 
que as palavras que inventei
outras eram 
que não aquelas que te dei
mas não sei 
quantas vezes eu tentei
dizer-te o quanto te amei.

e bastou uma só palavra
uma só vez: "- amo-te!" 
(como nunca te amarei)
palavra que não gastei.

o que ficou por dizer
os meus olhos 
a cada momento
hão-de fazer-te compreender
que o meu amor por ti
é até morrer.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

balança dos faraós





finitude da vida 
e o balanço
do bem e do mal.

pesar o coração
na passagem
onde as almas dos justos irão
para a outra margem.


.............


Na religião egípcia, Maat ou Ma'at é a deusa da verdade, da justiça, da retidão e da ordem.

É a deusa responsável pela manutenção da ordem cósmica e social, filha (ou mãe) de e esposa de Toth (alguns escritores defendem que o deus-lua Toth era o irmão de Maat).

Ela é representada como uma jovem mulher ostentando uma pluma de avestruz na cabeça, a qual era pesada contra o coração (alma) do morto no julgamento de Osíris.

in: wikipedia

terça-feira, 25 de abril de 2017

a velha foto

cama de fogo em lar de pedra
cinzas de um lugar esquecido
e o fumo negro dos tempos
onde tudo é escuridão
entre a candeia
a prateleira e o panelão.

olho a preto e branco a fotografia antiga
na minha mão
picada nos cantos por alfinetes espetados
e tons manchados
no amarelado fumado
dos tantos anos na cozinha em exposição.

dum pequeno rasgão 
sobressai uma costura em linha fina
como se não houvesse perdão
para uma imerecida desunião.

quantos olhares se fixaram
quantos desejos se esfumaram
quantos beijos se perderam
na única e física recordação?

(fotografia do casamento dos meus pais em casa dos meus avós)


terça-feira, 18 de abril de 2017

...

por ti espera a primavera
ela já chegou
tu é que estás atrasada.

vem

porque ainda podes correr
e deixar para trás
as angústias invernais
do teu desassossego.

nesta estação

passam flores e odores
que te alegrarão o coração.

e, além disso

mulher
a minha vida é uma espera
que por mais ninguém desespera.


domingo, 16 de abril de 2017

ilhas a navegar

rio 
que cavalgas memórias
e fazes lembrar 
as velhas estórias
doutro navegar
num tempo e num espaço
que fora raíz
e antes semente
pequena floresta
a caminho da foz 
num passo dolente.

lembras 
viagens antigas
de ilhas suspensas
desprendidas
pelas chuvas intensas
das margens feridas
descendo ao olhar
num suave abraçar
pelo extenso mar.

e os crocodilos ao sol a temperar 
olham  de terra o estranho habitar.